IBREDOC: uma nova frente de atuação da FBG no estudo da Doença Celíaca

A FBG – Federação Brasileira de Gastroenterologia – lança oficialmente o IBREDOC – Instituto Brasileiro para Estudo da Doença Celíaca, um espaço dedicado à produção científica, à formação profissional e à articulação de estratégias voltadas à melhoria do diagnóstico e manejo da doença celíaca no Brasil.

O que é o IBREDOC?
O IBREDOC é uma iniciativa da FBG voltada exclusivamente para o aprofundamento técnico e científico sobre a doença celíaca. Sua estrutura contempla um corpo multidisciplinar de especialistas, comprometidos com a produção de conhecimento qualificado e com a construção de práticas assistenciais baseadas em evidências.


Para que serve o IBREDOC?
O Instituto nasce com o objetivo de consolidar um núcleo de excelência no país para:
  • Ampliar a produção e a disseminação de conteúdo científico;
  • Apoiar a educação continuada de profissionais da saúde;
  • Fomentar pesquisas clínicas e translacionais na área;
  • Atuar em campanhas de conscientização junto à sociedade;
  • Colaborar com políticas públicas voltadas à doença celíaca.

Como surgiu o IBREDOC?
A criação do IBREDOC surge, portanto, em resposta à crescente demanda tanto da comunidade científica quanto da população por informações confiáveis, atualizadas e embasadas sobre a doença celíaca. Além disso, a partir da escuta ativa de especialistas, sociedades regionais e pacientes, a FBG identificou claramente a necessidade de estabelecer um espaço institucional específico. Desse modo, o IBREDOC passa a coordenar ações estratégicas voltadas ao enfrentamento efetivo dessa condição.


A atuação do IBREDOC
A atuação do IBREDOC será orientada por três eixos centrais:
  • Formação e atualização profissional
    Organização de cursos, jornadas, atividades presenciais e remotas, com foco na capacitação técnica de médicos e profissionais de áreas afins.
  • Conscientização e comunicação científica
    Participação ativa em campanhas como o Maio Verde, com conteúdos voltados à educação do público leigo e à valorização do diagnóstico precoce.
  • Pesquisa e desenvolvimento científico
    Apoio a projetos multicêntricos, incentivo à publicação científica nacional e articulação de redes de colaboração entre especialistas.
Por Tiago IBREDOC 17 de abril de 2026
O que é Doença Celíaca? A Doença Celíaca é uma condição autoimune provocada pela ingestão de glúten — proteína presente no trigo, centeio, cevada e aveia. Quando uma pessoa com Doença Celíaca consome glúten, seu sistema imunológico ataca as vilosidades do intestino delgado, prejudicando a absorção de nutrientes e causando uma série de sintomas. É uma doença crônica e séria, que exige um diagnóstico preciso e um cuidado contínuo. O único tratamento eficaz é uma dieta completamente livre de glúten. SINTOMAS – O corpo fala. A gente precisa escutar. A Doença Celíaca pode se manifestar de formas muito diferentes, o que dificulta o diagnóstico. Algumas pessoas apresentam sintomas gastrointestinais clássicos, outras sentem reflexos em áreas emocionais, neurológicas ou dermatológicas. E há ainda os casos silenciosos, sem sintomas evidentes. Principais sintomas em adultos: Diarreia crônica ou constipação Inchaço, dor abdominal e gases Anemia por deficiência de ferro Cansaço extremo Perda de peso involuntária Dificuldade de concentração e memória Sintomas frequentes em crianças: Atraso no crescimento Irritabilidade e mudanças de humor Dificuldade de ganho de peso Vômitos recorrentes Sinais menos conhecidos (mas muito importantes): Alterações de pele (como dermatite herpetiforme) Depressão, ansiedade, déficit de atenção Osteopenia e osteoporose precoce Infertilidade e abortos espontâneos Importante: Muitas vezes, esses sintomas são confundidos com outras condições. Por isso, é essencial pensar em Doença Celíaca como uma possibilidade diagnóstica. DIAGNÓSTICO – Quanto antes, melhor. Reconhecer os sinais e buscar ajuda médica são os primeiros passos para o diagnóstico. O ideal é procurar um gastroenterologista, que fará a avaliação clínica e indicará os exames necessários. A Doença Celíaca pode surgir em qualquer idade , mesmo sem histórico familiar. Quanto mais cedo o diagnóstico, menor o risco de complicações como osteoporose, infertilidade e linfomas. Quem deve investigar? Pessoas com sintomas compatíveis Parentes de primeiro grau de celíacos Pessoas com doenças autoimunes (como diabetes tipo 1, tireoidite de Hashimoto) Pacientes com anemia persistente ou baixa densidade óssea sem causa aparente Atenção: Não inicie a dieta sem glúten antes da confirmação médica. Isso pode mascarar os resultados dos exames. EXAMES – Precisão é o que garante o cuidado certo O processo diagnóstico envolve exames laboratoriais e, em muitos casos, exames de imagem e biópsia. Veja como ele acontece: 1. Sorologia – Exames de sangue IgA total Anticorpos anti-transglutaminase tecidual (tTG-IgA) Anticorpos anti-endomísio (EMA) Anticorpos antigliadina (mais usados em crianças) 2. Endoscopia com biópsia do duodeno É o padrão ouro para confirmar a Doença Celíaca Permite visualizar e avaliar as vilosidades intestinais 3. Exames genéticos (HLA DQ2 e DQ8) Não confirmam nem descartam sozinhos São úteis em casos duvidosos ou com sorologia negativa Importante: O diagnóstico é sempre clínico-laboratorial e deve ser feito por um profissional capacitado. Autodiagnóstico ou restrição alimentar sem orientação pode atrasar o tratamento correto.